“Miley Cyrus cantou para cerca de 17 mil pessoas na noite deste sábado, 14, na Arena Anhembi, em São Paulo. O show da eterna “Hannah Montana” faz parte da turnê Gypsy Heart. Miley Cyrus, 18 anos, subiu ao palco às 21h10 com figurino sensual. As roupas de Miley Cyrus já não lembram mais a garotinha de “Hannah Montana”, e sim um novo mulherão. O show da americana começou com a música “Liberty Walk”. A maioria das 17 mil pessoas era de adolescentes acompanhados de seus pais. O show terminou às 23h.” É, e pensar que já se passaram tantos dias desde aquele momento. O melhor momento, posso dizer. Como eu fui parar na Arena Anhembi naquele dia foi fruto de uma história bem engraçada, devo dizer. Posso admitir que tenho os melhores amigos do mundo em relação à tudo isso. Bom, do começo: Lembro exatamente de uma tarde qualquer eu estar deitada no sofá assistindo MTV sem absolutamente nada para fazer, e o meu telefone tocar. Era a minha melhor amiga me dizendo que a Miley tinha confirmado alguns shows na América Latina, e isso incluía o Brasil. Minha reação, claro, foi como de qualquer fã da Miley. Eu chorei, e não foi pouco. Eu chorei muito, eu mal conseguia falar. Nisso, tinha outra ligação vindo para o meu celular, desliguei da minha melhor amiga, e era minha amiga gritando e chorando comigo dizendo que a Miley ia vir pra ver a gente. Achei engraçado na hora, como eu queria que fosse por esse motivo… Mas eu estava feliz! Apesar de estar me afogando em lágrimas, desidratando meu corpo eu estava muito feliz. Minha mãe perguntou se alguém tinha morrido. Minha resposta seria “Ao contrário, mãe. Nunca me senti tão viva.” mas apenas abafei o choro e corri para abraçá-la. Ela chorou junto, verdade. Acho que nunca tinha me visto tão feliz. Eu nunca tinha me visto tão feliz. Bem, certo. Logo vinha os obstáculos. E quando digo obstáculos digo, o preço. Não estava tão caro mas minha mãe não queria me comprar devido às notas baixas. Tens alguma noção de como fiquei? Uma sensação de perda. Te perderia no palco por alguns minutos, que ficariam eternamente na minha memória. Por que? Não era possível. Depois de tanto esforço, de esperar por tanto tempo pra te ter aqui eu não poderia ter nem de longe? E aí aguentei, quando finalmente faltou uma semana para o show. Claro, pode imaginar, eu ia pra aula por obrigação, porque minha vontade era zero, e olha que eu nem odeio tanto ir para a escola, mas estava odiando. Estava odiando o fato de eu estar na Terra, pois é. Eu não conseguia chorar. Não saía, parecia que eu estava triste demais pra colocar toda essa tristeza pra fora de mim. Fui falar com os meus amigos, talvez eles poderiam me entender. Como eu tinha repetido de ano, os únicos que me entediam era o da série acima. Pois fui na minha antiga sala, com a minha antiga família. Lá estavam eles, sorrindo em minha direção. Me senti melhor, mas mesmo assim, estava vazia. Faltava algo. Faltava ela. Você. Miley. Contei a minha situação, como eu não podia acreditar que não iria te ver. Eles ficaram quietos, mas me abraçaram. Me entenderam, sabe. Todo mundo tem seu ídolo e sua história pra contar, seja ela boa ou ruim. Pois a minha era ruim, e eles procuraram me confortar. No dia seguinte estava eu na aula de Física, melancólica, sem motivação alguma pra prestar atenção em fórmulas sobre trabalho da força peso, quando de repente batem na porta. Eram meus amigos, do segundo ano. Minha antiga família. Estavam com um envelope. Disseram para me entregar, e eu não estava entendendo mais nada. Eles estavam sorridentes. O que poderia ser? Imaginei uma carta, fiquei feliz de qualquer forma. Realmente era. Estava escrito exatamente assim “Jú, minha linda, odiamos te ver mal. Todos nós decidimos juntar um dinheirinho, cada um um pouco, e conseguimos! Você conseguiu, amor. Vai ver sua Miley! Nós te amamos muito. Aproveita, hein? Beijos!” Sabe, eu posso dizer que eu choro por qualquer coisa, coisas bobas, bonitinhas. Mas fala sério: Tem coisa mais linda do que você sentir que tem pessoas ao teu redor que se importam com a sua existência? Foi o melhor dia, a melhor carta, a melhor coisa que qualquer pessoa no universo podia ter feito por mim. E fizeram, me fizeram feliz. Pois lá estava eu, indo ao Estádio do Pacaembu. Achei que fosse ter um ataque do coração no meio do caminho. Não estava fila, senti que não tinha nada no meu caminho e nada podia me impedir de te ver, te ter. Quando peguei aquele ingresso, algo se preencheu dentro de mim. Todo o vazio que tinha passado por toda a minha vida não existia mais. Por que, Miley? Por que? Era você, o que era? Não entendo o que tem e você que me faz tão feliz mas simplesmente faz, eu simplesmente consigo ser a pessoa mais feliz do universo quando penso que você realmente existe. E no dia 14/05 lá estava eu. Olhando diretamente para você. Não existia mais ninguém no mundo. Existia você. Eu e você. Eu posso afirmar certas coisas agora. Posso afirmar que anjos existem, posso afirmar que ter um dia que se resume ao melhor dia de nossas vidas existe. Eu não preciso escolher entre outros, eu sei. Foi o dia em que te vi. Vi minha inspiração, vi meu reflexo, vi minha razão. Te vi, Miley.
NIGHTNIGHT by DEDDY